Vicioso

Duplo luto


Procuro por ti ao acaso No mármore ecoam meus passos Caminho infinito carente de atrito, seguro meu grito Suplico: segure meu braço

A luz eu espero à frente Desejo de uma descrente Em um rio de angústia eu tento ser lúcida e impera a dúvida de onde eu falhei com a gente

A curva esconde-se à vista Cruel, é sutil e arisca No escuro opressor, é a lembrança do amor que devolve-me a cor Em frente, mas sigo submissa

Entrego meu corpo à chuva Quiçá me fará menos suja da dor torturante ao sonhar teu semblante insistir, petulante que posso ainda ser tua

Ilude-me uma encruzilhada Arbítrio só livre em fachada No branco da tela a escolha congela… Acendo uma vela É pouco, melhor do que nada

Aos poucos consigo enxergar Surpresa, estou à beira-mar Das nuvens à sombra farfalham as folhas E quebram as ondas Será esse meu novo lar?

Suspiro por ti no ocaso Rodeia-me todo o espaço Agora finito Talvez circunscrito Agradeço: Bonito foi ter habitado seu abraço